Dos cavalheiros, mosqueteiros e senhores das gerais

STEFAN SALEJ*

A morte repentina na semana passada dos um dos mais importantes analistas da política mineira e em especial das relações entre empresários e política, o professor doutor Otavio Dulci, a quem, como seu ex-colega de estudos presto homenagem, nos obriga ainda mais  a analisar melhor a atual situação política do Estado, segundo colégio eleitoral do país. Minas, o berço da vitória do segundo turno de Dilma nas eleições de 2013, contra um candidato também mineiro, a aliança entre o então senador José Alencar e Lula nos seus dois mandatos, sem a qual Lula nem se elegeria ou governaria eventualmente em conflito com o empresariado, se revolta na eleição deste ano e varre o PT do cenário regional e nacional com uma violência eleitoral assustadora.

O voto de protesto estourou a boca de urna e assustou o futuro. Os votos depositados querem mudanças estruturais na política regional e nacional. Aceitam  palavras de ordem, de progresso, de segurança e de um estado organizado, sem saber o que estão aceitando. Qualquer coisa que se prometa e que possa dar esperança de uma mudança é melhor do que o que aqui está.

Mas, como será a realidade de um futuro baseado em vácuo de um lado e de tantos fatos e atos de outro que numa normalidade democrática não seriam aceitos?

Relendo o livro de Heloisa Starling, Os Senhores das Gerais, que relata o papel da elite econômica mineira no golpe de 31 de marco de 1964, vê-se que não há como comparar com os dias de hoje. Através da via eleitoral, com a eventual vitória de Romeu Zema, o empresariado mineiro assume o poder político no estado. Ele, símbolo  de excelência empresarial na sucessão dos negócios da família, junto com mais três empresários de destaque cujos nomes contêm um M, formam um quarteto de mosqueteiros ou cavalheiros da esperança do novo desenvolvimento de Minas. E se Minas desenvolve, o Brasil também desenvolve.

Os princípios de gestão pública podem até incluir alguns princípios da gestão empresarial. Mas são duas  gestões com objetivos distintos e seus stakeholders, diferentes.  Vender aos eleitores  a promessa de gestão empresarial na gestão do estado, algo que nem Magalhaes Pinto  e nem José Alencar fizeram durante as suas carreiras políticas, pode custar caro ao Estado. E mais, achar que empresários que apoiam candidatos só têm interesse patriótico é renegar a história e ignorar  os ideais do empresariado. Os quatro cavalheiros da esperança, sob liderança do Zema, terão uma chance única de mostrar que a tese está errada, que o espírito público do empresariado mineiro ultrapassa os limites dos interesses pessoais e empresariais. Ou seja, que os cavalheiros da esperança não passarão a ser cavalheiros do apocalipse.

O novo governo, seja qual for, mas principalmente se for do Zema, vai precisar de uma aliança de todos para poder sanear o Estado e começar a fase de desenvolvimento. A política é feita de gestos, e sem dúvida a especulação que foi feita com as ações da Cemig e o anúncio da vinda de Gustavo Franco, que contribuiu, quando no governo FHC, com a quebra da indústria mineira e hoje representa junto com Amoedo a dominação do setor financeiro na política, não ajudam a enxergar um futuro soberano e mineiro na essência para Minas.

Minas não se pode dar mais ao luxo de ser um grande exemplo de atraso social e econômico do país, criando 15 bilionários  brasileiros. A esperança  das urnas gera responsabilidade dos senhores das gerais para mais do que isso.

*STEFAN SALEJ, consultor empresarial, foi presidente do Sistema Fiemg e Sebrae MG

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